Rio de Janeiro, junho de 2026 – Às vésperas do início da Copa do Mundo, milhões de brasileiros já aguardam ansiosamente para acompanhar o evento como um todo e a Seleção Brasileira em particular. O período é marcado por reuniões familiares e de amigos, confraternizações e muita torcida. Ruas, casas, clubes e até locais públicos se transformam em verdadeiras arquibancadas improvisadas, com direito a muitas pessoas aglomeradas, barulho de corneta, gritos e fogos de artifício.
Porém, nem todas as pessoas se sentem confortável, empolgadas ou até mesmo felizes com o ambiente descrito acima. É o caso das pessoas com algum tipo de demência, como a doença de Alzheimer.
Segundo o Relatório Nacional sobre Demência, divulgado pelo Ministério da Saúde, cerca de 8,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais convivem com algum tipo de demência, o que representa aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. A condição é mais frequente entre idosos e tende a crescer nas próximas décadas em razão do envelhecimento populacional.
Especialistas alertam para alguns cuidados fundamentais que podem garantir o bem-estar dessas pessoas, especialmente em períodos como o final de ano ou a Copa do Mundo. Durante grandes eventos, mudanças bruscas na rotina podem gerar desconforto para pessoas com algum tipo de comprometimento cognitivo. Alteração nos horários das atividades habituais como refeições e descanso podem aumentar a confusão mental e a sensação de insegurança.
“É de fundamental importância preservar ao máximo a rotina da pessoa com demência. A Copa pode e deve ser um momento de integração familiar, mas sem que isso gere algum tipo de problema ou sobrecarga emocional ou sensorial para a pessoa com demência ou até mesmo para o seu cuidador. Pequenas adaptações no ambiente fazem toda a diferença para que ela participe de forma segura e confortável”, afirma Christiano Barbosa, presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ).
Entre as recomendações mais importantes está a escolha ou disponibilização de ambientes mais tranquilos para assistir às partidas. O excesso de ruídos, gritos, buzinas, o ambiente de tensão ocasionado por uma disputa de pênalti, por exemplo, ou comemorações intensas podem provocar irritabilidade, ansiedade e até episódios de agitação. Sempre que possível, é recomendável disponibilizar um espaço mais reservado para que a pessoa possa descansar caso se sinta desconfortável.
A alimentação também merece atenção especial. Nessas ocasiões, é comum o consumo de alimentos diferentes daqueles que a pessoa está habituada a comer e, dependendo do estágio da demência, podem existir dificuldades de mastigação ou deglutição, aumentando o risco de engasgos. Por isso, os cuidadores devem observar a consistência dos alimentos e acompanhar as refeições de perto.
Outro fator para se ficar atento é observar sinais de cansaço ou sobrecarga emocional. Mudanças de humor, inquietação, aumento da confusão mental ou isolamento são indicativos que o ambiente pode estar muito estimulante para a pessoa.
“Não devemos excluir as pessoas com demência das celebrações. Pelo contrário, a participação social é importante para a manutenção dos vínculos afetivos e para a qualidade de vida. O que precisamos é adaptar o ambiente às necessidades de cada pessoa, respeitando seus limites e promovendo acolhimento”, pondera Barbosa.
O presidente da APAZ-RJ ressalta ainda a importância de se compreender que cada pessoa vivencia a doença de forma diferente. “Com planejamento prévio, conscientização e respeitando as necessidades e a individualidade de cada pessoa, a Copa do Mundo pode se transformar em uma oportunidade de fortalecer laços familiares, criar momentos prazerosos, despertar lembranças agradáveis à pessoa com demência e proporcionar a ela um sentimento de pertencimento e inclusão”, finaliza.
Sobre a APAZ RJ
A APAZ (Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes) é uma Instituição sem fins econômicos, com o objetivo de informar, capacitar e apoiar familiares, profissionais e população em geral sobre os processos de demência, principalmente sobre a Doença de Alzheimer.
Foi fundada em 1991 pelo Dr. Jacob Guterma (Presidente de Honra – In Memorian) dentista que conviveu 8 anos cuidando de sua esposa com diagnóstico de Alzheimer. A APAZ atende somente os cuidadores de pessoas que vivem com demência. Sua Diretoria é formada por familiares e a Comissão Científica conta com profissionais de todas as áreas que compõem o tratamento, seja medicamentoso ou não, de um processo de demência.
Newton Silva (11) 9 4712-6442 [email protected]
