Dia dos Avós – Férias escolares podem fortalecer laços entre gerações, inclusive quando há um idoso com Alzheimer

O mês de julho é o período em que muitas crianças e adolescentes desejam durante meses: as férias escolares. Porém, também representa um desafio enorme para muitas famílias. Enquanto pais e responsáveis precisam conciliar a rotina de trabalho com o tempo livre das crianças e adolescentes, os avós frequentemente assumem um papel ainda mais presente no cotidiano familiar. Neste contexto, a proximidade entre diferentes gerações pode se transformar em uma oportunidade valiosa de aprendizado, afeto e troca de experiências.

Christiano Barbosa, presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ), ressalta que a convivência intergeracional beneficia todos os envolvidos: “Para as crianças, estar ao lado dos avós contribui para o desenvolvimento da empatia, do respeito às diferenças, da paciência e do sentimento de pertencimento à história da família. Já para os idosos, o contato com os mais jovens estimula a socialização, fortalece vínculos afetivos e proporciona momentos de alegria, fatores importantes para a manutenção da saúde emocional e da qualidade de vida”.

No entanto, quando o familiar idoso tem diagnóstico de Alzheimer ou outra forma de demência, essa interação exige alguns cuidados adicionais. A perda gradual da memória, a dificuldade de comunicação e as alterações de comportamento podem gerar situações de desorientação tanto para a pessoa idosa quanto para as crianças, especialmente quando elas não compreendem o que está acontecendo.

“O primeiro passo é conversar com os pequenos de forma simples e adequada à idade. Explicar que o avô ou a avó está doente, que pode esquecer nomes, repetir perguntas ou demonstrar confusão. Essas explicações evita que a criança interprete essas mudanças como falta de carinho ou desinteresse, por exemplo”, explica o presidente da APAZ-RJ.

Também é importante escolher atividades compatíveis com as capacidades preservadas da pessoa idosa, como, por exemplo, ouvir músicas conhecidas, folhear álbuns de fotografias, desenhar, pintar, montar quebra-cabeças com poucas peças, cuidar de plantas, preparar uma receita fácil ou simplesmente conversar são atividades capazes de promover interação sem provocar sobrecarga.

Outro cuidado essencial é respeitar a rotina do idoso. Pessoas com Alzheimer costumam sentir-se mais seguras quando mantêm horários previsíveis para alimentação, descanso e medicação. “Durante as férias, a família deve evitar mudanças bruscas na rotina ou ambientes excessivamente barulhentos, com muitas pessoas falando ao mesmo tempo, pois esses estímulos podem aumentar a ansiedade e a confusão”, reforça Christiano Barbosa, que também é fisioterapeuta.

Vale ressaltar que cabe aos adultos acompanhar esses momentos de perto. A supervisão permite orientar as crianças, intervir caso surja alguma situação de desconforto e adaptar a atividade sempre que o idoso demonstrar sinais de cansaço, irritação ou agitação. Da mesma forma, é fundamental acolher as emoções das crianças, que podem sentir tristeza ou estranhamento diante das mudanças provocadas pela doença.

Para crianças e adolescentes, aprender desde cedo a conviver com as limitações do envelhecimento representa uma importante lição de respeito, solidariedade e humanidade. “Transformar as férias escolares em um período de encontros, escuta e acolhimento pode fazer bem para todos. Afinal, as melhores lembranças nem sempre dependem da memória. Muitas vezes, elas permanecem vivas nos gestos, no carinho compartilhado e nos laços que unem diferentes gerações”, finaliza Christiano Barbosa, presidente da APAZ-RJ.

 

Sobre a APAZ RJ

A APAZ (Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes) é uma Instituição  sem fins econômicos, com o objetivo de informar, capacitar e apoiar familiares, profissionais e população em geral sobre os processos de demência, principalmente sobre a Doença de Alzheimer.

Foi fundada em 1991 pelo Dr. Jacob Guterma (Presidente de Honra – In Memorian) dentista que conviveu 8 anos cuidando de sua esposa com diagnóstico de Alzheimer. A APAZ atende somente os cuidadores de pessoas que vivem com demência. Sua  Diretoria é formada por familiares e a Comissão Científica conta com profissionais de todas as áreas que compõem o tratamento, seja medicamentoso ou não, de um processo de demência.

Leonardo Silva
(11) 9 4712-6442
[email protected]
By Balcão da Notícia

Related Posts