Sono e maternidade: privação de descanso impacta a saúde física e emocional das mães

A chegada de um filho transforma profundamente a rotina, e o sono está entre as primeiras e mais impactantes mudanças. No contexto da maternidade, noites fragmentadas, despertares frequentes e a sobrecarga física e emocional tornam o descanso um recurso escasso, com efeitos diretos na saúde e no bem-estar das mães.

“As mudanças aparecem desde a gestação e suas diferentes fases. Mas, após o nascimento do bebê, a alteração é abrupta, de uma hora para outra. É como se a mulher estivesse em um plantão ininterrupto”, explica Helena Hachul,
ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono/AFIP.
 

Dados científicos reforçam esse cenário. Um estudo publicado na revista Sleep, que acompanhou 232 casais ao longo do primeiro ano de vida do bebê, mostra que mães apresentam sono mais irregular e interrompido do que os
pais. Além de acordarem mais vezes durante a noite, elas permanecem mais tempo despertas após esses episódios, o que compromete a recuperação do organismo e a qualidade do descanso.
 

Esse contexto ajuda a explicar por que a privação de sono prolongada pode impactar diretamente a saúde mental, o humor e a capacidade cognitiva das mães. Os efeitos negativos vão além. Durante o sono, o organismo da mulher
produz prolactina, hormônio essencial para a produção de leite. Quando o descanso é insuficiente ou muito fragmentado, esse processo pode ser prejudicado, afetando diretamente a amamentação.
 

Para a especialista, a rede de apoio é um fator essencial para reduzir a sobrecarga. “O cenário ideal é que a mulher tenha suporte para descansar sempre que possível. A amamentação, por exemplo, é uma função materna,
mas outros cuidados, como colocar o bebê para arrotar, podem ser compartilhados”, afirma.
 

Estratégias para minimizar os impactos
Embora não exista uma solução simples para o desafio do sono na maternidade, algumas medidas podem ajudar a reduzir os impactos:
● Aproveitar, sempre que possível, os momentos em que o bebê dorme
para descansar
● Dividir responsabilidades com parceiros ou rede de apoio

● Evitar sobrecarga de tarefas não essenciais
● Manter uma rotina mínima de sono, mesmo que adaptada
● Buscar ajuda profissional em casos de cansaço extremo

Especialistas reforçam que o sono materno precisa ser tratado como prioridade de saúde. “Cuidar do sono da mãe é cuidar da família como um todo. Uma mãe minimamente descansada consegue lidar melhor com as demandas e
estabelecer vínculos mais saudáveis”, conclui Helena Hachul.

 

Sobre o Instituto do Sono
Fundado em 1992 pelo Professor Dr. Sergio Tufik, o Instituto do Sono – uma das unidades da AFIP – é um centro de referência em pesquisa, ensino, diagnóstico e tratamento dos distúrbios de sono. Pioneiro e líder na América
Latina em Medicina do Sono, reúne um grupo diversificado de pesquisadores, contando com mais de 1.500 artigos publicados. É responsável pelo EPISONO, um dos maiores e mais relevantes estudos epidemiológicos sobre distúrbios de sono no mundo. Com uma equipe multidisciplinar, oferece atendimento especializado por meio de consultas e exames, tendo superado a marca de 460.000 polissonografias. Destaca-se ainda por sua atuação na área de
ensino, com a capacitação de mais de 5.900 alunos de todo o país. Para informações adicionais, acesse o site www.institutodosono.com.

Janaína Demarque
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By Balcão da Notícia

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