O tabagismo é amplamente conhecido por causar graves doenças respiratórias, cardiovasculares e pulmonares, mas os seus efeitos nocivos vão muito além dos órgãos internos. A pele, maior órgão do corpo humano, também sofre visualmente e também internamente.
As principais alterações são rugas precoces, manchas, amarelamento da pele, queda de cabelo, atraso na cicatrização e maior risco de câncer cutâneo.
“O cigarro contém mais de sete mil substâncias tóxicas que, ao entrarem na corrente sanguínea, destroem fibras de colágeno e elastina (responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele) e comprometem a imunidade local, tornando a pele mais vulnerável ao envelhecimento acelerado”, explica Lauren Morais, médica dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Paraná.
Dados do Ministério da Saúde de 2024 mostram que no Brasil houve um aumento na prevalência de fumantes adultos desde 2007, passando de 9,3% para 11,6% na proporção de adultos fumantes.
O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, serve como um lembrete de que a saúde integral e a beleza caminham juntas. O diagnóstico precoce de doenças de pele associadas ao tabagismo amplia as chances de tratamento.
Consequências do cigarro para a pele
Os danos estruturais causados pelo cigarro são profundos e acelerados. Como consequência, o fumante desenvolve uma pele opaca, sem viço e com linhas de expressão precoces e profundas, principalmente ao redor dos olhos e dos lábios. A nicotina e o alcatrão atuam diretamente na degradação das fibras que sustentam o rosto.
“Na dermatologia, vemos com frequência pacientes fumantes que apresentam envelhecimento cutâneo de 10 a 20 anos acima da idade cronológica”, acrescenta a especialista.
O tabagismo aumenta o risco de desenvolver psoríase, retarda a cicatrização de feridas e cirurgias, aumenta o risco de infecções e potencializa as chances de desenvolvimento de câncer de pele não melanoma.
Benefícios diretos ao parar de fumar
Abandonar o cigarro é, sem dúvida, a melhor decisão para a saúde como um todo. Em poucas semanas após o último cigarro, a circulação sanguínea periférica começa a se normalizar, restabelecendo os níveis adequados de oxigenação na derme. A pele recupera gradativamente o seu brilho natural, a hidratação e a capacidade de regeneração. Também há uma melhora na resposta do corpo a tratamentos dermatológicos e procedimentos estéticos.
“Cuidar da pele começa por escolhas que vão além da cosmética, e certamente parar de fumar é uma delas”, conclui a dermatologista.
Foto: Magnific
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